Considero que a compreensão dos diferentes momentos de jogo se torna a chave para melhor compreender o jogo de futebol. O que fazer quando tenho a bola? O que fazer quando não tenho a bola? Que decisão tomar quando recupero? Que ações a fazer quando perco a bola?

É também através dos momentos de jogo que podemos criar ideias colectivas. É nessa forma de estruturar o jogo, através do processo de treino, que criamos um conjunto de mecanismos colectivos.

“Gosto de conceber as equipas como seres vivos. Com um processo de nascimento e crescimento muito próprios, específicos, cada qual com a sua personalidade. Nascem, vivem e morrem. E assim sucessivamente. Cada qual com a sua impressão digital. Futebolisticamente humana. É a construção dessa personalidade, do seu código genético, que me fascina. Dar a onze jogadores o mesmo DNA. No embalar desse berço, um homem. O treinador. Treinar é, no fundo, dar personalidade a um colectivo. Até ele ser singular.” (Luís Campos, 2008)

Hoje trago-vos uma reflexão sobre o momento de Transição Ofensiva, ou seja, o momento em que ganho imediatamente a bola ao adversário, e o momento de Organização Ofensiva, ou seja, quando detenho da posse de bola.

A maioria das equipas, utiliza o momento de Transição Ofensiva, para rapidamente atacar a baliza adversária. Não há intuito de nada mais, a não ser atacar o espaço, atacar a baliza adversária, progredir com a bola. Rápido e urgente para finalizar! Porém, será sempre essa a melhor opção em Transição Ofensiva? Depende: há sempre um contexto inerente às ações-decisões, no qual procuro reflectir.

  • Se estou em inferioridade numérica, o que devo fazer em Transição Ofensiva?
  • Se o adversário ocupar bem os espaços, e tiver uma boa reação à perda, o que devo fazer em Transição Ofensiva?

Acredito que o momento de Transição Ofensiva poderá ser super eficaz, naquilo que é o objectivo do jogo: marcar golo. No entanto, por imensas vezes observamos situações em que a probabilidade de sucesso desse momento é muito pouca. No meio da rapidez e pressa, o pensar e raciocinar: tenho condições de ser bem sucedido neste momento de jogo? , torna-se determinante.

Porque não, utilizar o momento de Transição Ofensiva – perante condições reduzidas de sucesso, pelo espaço, número e tempo envolventes  – de forma a posicionar-me em Organização Ofensiva? Podendo, assim, escolher o meio campo adversário para ocupar os espaços e criar situações de finalização. Ou seja, permite-me estar em Organização Ofensiva, e mesmo perdendo a bola, o adversário tem imensos metros até à minha baliza. Menos perigoso e mais controlador? Deixo para o leitor reflectir.

A qualidade dos intervenientes terá sempre influência – como o tem em todo o jogo. No entanto, é  através de um processo de treino que se incute ideias colectivas e um jogar compreendido por todos como nos diz (Campos, 2008) dar a onze jogadores o mesmo DNA.

Há algumas equipas que demonstram o que foi descrito em cima, que utilizam o momento de Transição Ofensiva para criar melhores condições para o momento de Organização Ofensiva. Ou que pelo menos, percebem quando há condições para tal e quando não há, decidindo aí a mudança: do momento de transição para o momento de organização.

Por Leandro Silva para o site Raciocinar o Futebol

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