Renata era uma artista. Foi a sua sensibilidade que a fez conduzir uma família, quando o marido treinador de futebol quase não estava presente. Cumpriu o papel difícil da mãe que precisa agir, ainda que divida algumas tomadas de decisões ao telefone com o técnico que viaja todo o sempre, que muitas vezes defini o futuro, mas que nem a todo momento pode estar junto. Era uma mulher de verdade. E de verdade guerreou até o fim com o câncer que a levou. E guerreou como aprendeu, nos 24 anos de casada ao lado de Marcelo Martellotte. Sua luta foi, sim, a que valeria uma conquista. No dia internacional da mulher, nossa homenagem tem nome, sobrenome e representa todas aquelas que combatem o bom combate ao lado do treinador de futebol. À Renata Martellotte.

“Nos momentos mais difíceis de um técnico, a gente sempre é acolhido pela família quando volta pra casa. Agora foi ao contrário e fui buscar ajuda no meu trabalho, num momento pessoal de muita tristeza”, conta Martellotte.

Natural a dor, ainda que prevaleça a lembrança da mulher parceira, companheira, a mãe da Giovanna e da Bruna, as outras mulheres da vida do treinador. “Meu sentimento é de admiração como ela conduzia tudo, a educação das meninas quando eu estava distante. Ela era o elo”, admira Martellotte, que vê nas filhas muito de como a mãe as guiou para a vida. “Muitas vezes pensei nelas através da Renata. Hoje representam tudo o que penso pra vida, o que faço. Só quero que sejam felizes, como a mãe foi”.

Da Renata companheira, Martellotte carrega a última lembrança de uma alegria em família, quando puderam, pouco antes da descoberta da doença, encontrar agenda livre pra viajar aos Estados Unidos e comemorar os 50 anos dos dois. “Faz dois anos e não tem preço, foi muito marcante. Depois, a Renata se transformou numa outra mulher, eram mudanças de valores. Nos últimos meses a vi fazendo o que gostava. Renata era uma artista e me encheu de esperança vê-la voltar a pintar. Pra mim, aqui e pra sempre, fica a imagem da pessoa feliz, que sonhava junto, eu gosto de moto e ela adorava, imaginava e buscava o melhor pra gente”, lembra Martellotte, que vê a tradução de um fio da história tatuada na filha Bruna: a mandala que a mãe fez. E segue, com fé na vida.

Compartilhe
WhatsApp Chat
Enviar

LOCALIZAÇÃO

Rua Solimões, 456 – Barra Funda
São Paulo – 01138-020

ATENDIMENTO

sitrefesp@sitrefesp.org

11 3392-5200 / 3392-5015
11 98432-4738